Sábado à noite Shopping, Domingo de manhã Feira

 

Sábado à noite lâmpadas fosforescentes e ar condicionado,

Domingo de manhã sol e calor.

Sábado a noite x-burguer e batata frita,

Domingo de manhã pastel na banca do seu Paulo.

Sábado à noite estacionamento 7 reais,

Domingo de manhã 1 real para o olhador de carros.

Sábado à noite R$ 4,80 a lata de refrigerante,

Domingo de manhã R$ 1,50 o copo com meio litro de garapa.

Sábado à noite a galera de cabelo com gel e costeletas alisadas,

Domingo de manhã as filhas da dona Lola, a vó Fofinha e os primos por parte de pai.

Sábado à noite música ambiente,

Domingo de manhã samba na rua.

Sábado à noite senha e fila para atendimento,

Domingo de manhã “quem é o próximo?”.

 

E na semana que vem, como todo domingo, tem feira de manhã.

 

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5 Comentários

Arquivado em de tudo um pouco

5 Respostas para “Sábado à noite Shopping, Domingo de manhã Feira

  1. Ligia

    muito legal o blog de vcs! curti isso (by facebook) rssss

  2. Retribuindo a visita… Adorei esse poeminha!

  3. Outro Bruno

    Percebemos no texto de Havana a descrição de um cotidiano específico. Isso porque a ida à feira já não faz parte dos afazeres da maioria dos cidadãos das grandes metrópoles, contrapondo-se ao passar automático pelos shoppings.
    Contudo, ao ressaltar os aspectos industriais e naturais, humanos e mecânicos, de forma pendular – num vai e vem que parece não ter fim, ou melhor, que se dá com o fim do fim de semana, mas que inevitavelmente recomeça no início do novo fim de semana -, o autor universaliza o “ato criador” do homem, justamente ao localizar, ou seja, ao subjetivar as circunstâncias da aceitação ociosa (passiva!) do seu destino-repetição.

    • As feiras sempre foram bons lugares de encontro e o shopping é mesmo muito impessoal.
      Você esta certo ao acusar o autor de passivo e culpado por seu proprio destino, e ainda mais certo ao apontar a consequencia no que você chama de “destino-repetição”, ou rotina mesmo.
      Contudo, até onde será que vai o controle sobre nossas próprias vidas?

  4. Outro Bruno

    Pois é, se formos pelo poema, não vemos perspectivas de controlarmos nossas vidas. As coisas, os lugares, o tempo, tudo parece ter existência própria, independente da vontade do sujeito. O sujeito não está na trama como ator, mas como espectador.
    Só vejo uma saída, mas escrevê-la seria uma heresia porque somente Havana teria esse direito.

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