Samba Against the Machine

Essa vida é mesmo muito maluca. Apesar de contruirmos nossos próprios caminhos é impossivel saber ao certo a onde eles vão dar. Você planeja algo lá atras, fica imaginando como serão as coisas, mas quase nunca sai exatamente como você havia previsto. Talvez se saisse seria até chato. Aliás, é quase impossivel traçar longos caminhos. Dois anos talvez seja o mais longe que eu pude alcançar com meus planos. Passado esse tempo, só mesmo os acontecimentos desses dois anos poderam dizer por onde vai continuar.

A historia de sobreviver de música agora virou mais ou menos verdade. Hoje será a quarta vez que nós nos apresentaremos só nessa semana. Fora a dor nas juntas dos dedos das mãos por estapiar meu querido cajon por horas,  isso é muito bom.

As vezes, a vida de músico é bem engraçada. Por exemplo, na quarta-feira o bar em que tocamos  estava lotadíssimo. Alguns camaradas brasileiros que estão de retorno ao Brasil aproveitaram o samba e fizeram uma despedida por lá. Foi uma daquelas noites especiais onde o samba rolou solto por mais de 3 horas com a galera toda de pé dançando e se divertindo (com direito até de ver sua namorada ensinando sua professora de ingles a sambar). Mas claro que não é assim sempre e nesse mesmo bar por muitas vezes tocamos apenas para algumas pessoas. Isso é bem normal.

Já no dia seguinte, no caso, na noite de ontem, nós tocamos em dois lugares diferentes. O primeiro em uma churrascaria brasileira em Vancouver e o segundo em um Pub da galera GLS na rua Davie. Imagina só. Dois lugares completamente distintos.

Uma churrascaria não é lá dos lugares mais charmosos do mundo, além de que ninguém, ou quase ninguem, está ali por que gosta de música brasileira. Os nego estão ali quase que exclusivamente para comer animais mortos (eu também tenho minha parcela de selvageria ao esbufetar meu pandeiro de couro, mas….). O lance de tocar nesse restaurante é mais um lance de trabalho mesmo. Fazer um sonzinho, levantar um troco, e só. Sem muito chamego. Chega a ser engraçado pra gente que além de fazer gosta de ouvir múscia, ver um cara sentar virado de costas pra você na mesa de frente pra banda só para conseguir ver a televisão que fica lá no fundo. Sem contar é claro você lá tocando um Baden Powell cabuloso e os caras passando na sua frente com uns espetos de carne. É uma experiencia bem diferente, bem esquisita na verdade (eu não vou nem comentar sobre as dançarinas de penacho nos intervalos da banda).  Mais nesse caso até que a TV não tava tão ruim não. Como o restaurante é brasileiro as vezes os caras colocam uns programas brasileiros pra rolar. E advinha o que estava passando ontem para a felicidade da nação? Os melhores momentos do jogo entre Flamengo e Corinthians. Melhor do que isso só quando apareceu o Romario e na legenda referente: “Romario, a Brazil’s Legend”.

Terminando na churrascaria corremos para o Pub. Completamente diferente. Um puta palco loco, um ambiente com um clima bem legal onde todo mundo, ou quase todo mundo, está ali para ouvir a música. Os amigos estavam por lá mais uma vez e o batuque rolou até de madrugada.

Uma coisa que é muito perceptivel: o poder que o samba, o forro e o baião, tem sobre as pessoas. É notório como as pessoas se transformam na medida em que vão ouvindo. E isso não sou eu exatamente que estou dizendo, mas reproduzo o que ouvi de canadenses, russos, estonianos, japoneses, koreanos, mexicanos, franceses, e muitos outros.

Talvez, humildimente, a música possa mostrar, como um belo quadro ou um belo poema, que a vida é muito mais do que ruas bonitas e um mundo cheio de regras. Como diria meu camarada José, o Brasil tem que “miorá”, mas tomara que a gente nunca perca o nosso jeitinho.

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8 Comentários

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8 Respostas para “Samba Against the Machine

  1. Fernanda

    Olha o Chamego…olha…rsos…
    Sempre…perder o jeitinho do sangue que corre nas veias jamais Dan 🙂
    Bjos, saudades

  2. O poder da música não pode ser superestimada mais do que muitas pessoas pensam, e você simplesmente compreendido.
    A melhor coisa sobre isso é que você não é apenas um DJ tocando alguém criações, e você – o criador!
    Orgulho de estar familiarizado com você!

  3. ei, ãnilho, dê uma ôlhadela qui – acho que ce vai gostar da idéia (sic): http://www.rentalocalfriend.com/EN/index.html

  4. Everas

    Ehh, o que não faz a distância e um tantinho assim de saudade da terra. Claro que quando você toca música brasileira fica mais sensível, mas tirar um troco por fazer o que gosta é fantástico. Nunca sai para além da linha do equador para ver esse funcionalismo convertido na população rica do norte. Não consigo nem comparar com esse nosso jeito.

    • Danilo Havana

      tem razão mestre.
      quando a gente toca Chega de Saudade cai uma lagrimazinha.
      mas olha, os caras aqui tb quando dão para ser doidos são muito doido.
      parece que a maioria das pessoas está com o sistema. Mas diga a onde que não é diferente? contudo uma boa parcela dos pessoas tb parece nao gostar das quadradisses daqui.

  5. Everas

    Ah, também curti o Samba Against The Machine, nome de disco heimmmm!!!!

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