Viver é dobrar a orelha

Eu aprendi com meu camarada José, o profeta, que diante de uma situação que não lhe contente, agrade ou favoreça, puxar o dedo dá mão pode lhe ajudar. No meu caso, eu preferi dobrar a orelha, uma vez que tenho o habito de estalar os dedos e isso poderia me trazer certo prazer e acabaria por não servir a proposta.

A idéia é que no momento em que você se deparar com uma situação de atrito, você consiga parar e refletir a coisa sob uma ótica diferente. Parece simples, dica de auto-ajuda ou até óbvil demais, mas funciona muito bem. Com tempo e bastante treino a coisa fica automática. Daí, diante dessas situações seu cérebro se lembra automaticamente do incomodo hábito e manda você parar e pensar antes de sair chutando tudo.

[Eu me lembro que algo parecido já fora testado em animais. Relatos de um camarada, brincando com sua cachorrinha Tessi, conta que ele emitia um grunhido e em seguida dava um tapa na coitada. Ele fez isso uma, duas, três, quatro vezes. Na quinta oportunidade, niqui que ele soltou seu grunhido a fim de anteceder o golpe, a cachorra avançou nele e deu uma dentada no pobre imbecil.

O que nós podemos extrair disso, além é claro de que os humanos estão mortos e não passam de almas penadas?

Até mesmo os cachorros, tidos como menos evoluídos, idéia essa que eu refuto, conseguem aprender com suas experiências e não cometer os mesmos erros sucessivas vezes. Ontem foi assim. Eu poderia ter mordido, mas acabei levando outro tapa. E é muito ruim voltar pra casa com a sensação de que deveria ter mordido. Mas não era disso que eu queria falar e o exemplo do cachorro só serve para a coisa de tornar automático.]

A idéia de puxar o dedo ou dobrar a orelha é que você consiga pensar bem, mesmo que na condição de não-cachorro, e assim não precise morder quem você pensa estar lhe dando tapas  – agora eu entendo o porque que aqueles lutadores de rua com cachorros ferozes tem a orelha machucada!. As vezes eu consigo fazer uso dessa técnica  e sempre que consigo funciona bem. Mas é difícil. Dobrar sua própria orelha em momentos de aflição ajuda você a perceber que quase todas as suas atitudes são movidas a vaidade. Porém o assunto vaidade é longo e ainda tomará tempo neste blog.

Ao Sr. que merecia ser mordido, ou porque não ter levado um tapa, deixo meus pensamentos. O mundo gira rapidinho. Cabelo bonito e camisa passada vestem muito bem. Nasceram um para o outro. Cuide bem deles que amanhã você pode estar mendigando seu potinho de gel. E você ai que está gordo, viajando bastante, achando que seu pinto é mais bonito que os dos outros, é bom se ligar que antes do fim todo mundo acaba igual.

Contudo, dobrar a orelha ou puxar o dedo é para aqueles momentos em que você imagina estar certo e convicto de suas idéias. É exatamente para que você veja a situação por outro angulo e perceba que pode estar errando ou insistindo num caminho torto. Eu costumo dizer que viver é a arte de dar migués, mas porque também não dizer que viver é dobrar a orelha?



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3 Comentários

Arquivado em de tudo um pouco

3 Respostas para “Viver é dobrar a orelha

  1. Vamu ver se eu entendi: tenho que dobrar a orelha da minha cachorra pro meu pinto ficar mais bonito que o dos outros?

  2. Fernanda

    Uns dizem pra respirar fundo, outros que virar a orelha pode ser uma boa, cheirar uma flor e assoprar uma vela, tomar um copo d`agua, puxar o dedo da mão….esse mundo é mesmo uma piada…
    Talvez devessemos escolher a solução (ou tentativa de…) mais engraçada…ou quem sabe a mais adequada pra cada situação…afinal…vai que o copo d`água não está ao seu alcance…
    Saberá…
    Bjos

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