Tempo, viagem e cofrinho

Texto repostado de Senderos World Travellers.

Eu não sei o que está sendo mais difícil, se encontrar tempo para escrever ou encontrar tempo para viajar. Dinheiro é sempre um problema, ou como dizem, é solução, por isso nem entra no pesar.  Quando digo viajar quero dizer sair de Vancouver ou mesmo fazer um passei por suas bandas.

A vivência em outro país tem dessas coisas. Sua vida que você imagina ser normal, na verdade é uma constante viagem. Todo mundo diz que a vida é uma viagem, mas aqui quero dizer no sentido de pegar o busão e sair de role. Parece óbvio, mas as vezes a gente demora a perceber isso. Meio que sem querer, o Urubutres acabou sendo o lugar onde passei a registrar minha passagem pelo Canadá, e com isso as duas propostas se embolaram deixando minha participação no Senderos a mercê das propagandas de viagra. As viagens do cotidiano e as viagens propriamente ditas passaram a ser uma só, e quando vi, a vida tinha mesmo virado uma viagem! Que beleza! Era exatamente isso que eu queria.

Eu ainda não descobri um jeito de fazer disso algo constante, sem interrupção, fazer dessa vida-viagem algo mais real, viajando por ai pelo mundo, conhecendo as coisas, aprendendo com as diferenças. O mundo é tão grande e tem tanta coisa pra te ensinar que chega até a  deixar triste.

Mas de qualquer jeito, apesar desse “constante estado de viagem sazonal”, os últimos meses não foram de muitas saídas. Depois de Whistler, ainda em janeiro, passei uma tarde em Bowen Island, e estive por algumas vezes visitando as cidades conurbadas a Vancouver.

De algum modo isso é algo que me deixa um pouco decepcionado. Antes de desvendar o conto de fadas Canadense, a essa altura do ano eu imaginava que já teria conhecido meio mundo saindo daqui. Mas também, a vida é isso ai. E a experiência é boa demais para reclamar. A realidade, contudo, é que depois de um tempão na dureza total de grana, sem trampo, agora com trampo, não é que o dinheiro sobre, mas a falta de tempo não deixa você gastar nem as moedas do cofrinho.

A palavra não é bem falta de tempo. O tempo voa e ao mesmo tempo sobra. Todas aquelas horas no transito que você tinha que suportar diariamente, por exemplo, e agora não tem mais, já te deixam viver bem mais. E nossa, isso é importante de mais.

Daí que entre um tempinho e outro, um diazinho de folga aqui e outro ali, as horinhas a mais de sol no verão e um bom sistema de transporte, ajudou ao menos a ir desfrutando dos espaços da cidade.

Vancouver possui praias muito legais, bem diferentes das que estamos acostumados a ver nos trópicos, mas bem legais. Só é possível descobrir isso no verão já que o frio e a chuva no inverno espantam até caranguejo. Das que pus o pé, eu destacaria três: Thrird Beach, Spanish Banks e Wreck Beach. São praias mais sossegadas, com areia mais fina e um bom fundo de mar. Acho que a que mais me encanta é a Thrird Beach, sobretudo por estar dentro do Stanley Park e pela linda visão do por do sol. A pouco mais de um mês, por exemplo, era possível estar nadando no mar, vendo o por do sol de frente, tendo de um lado a floresta do park e ao fundo as montanhas com neve. Muito, muito doido.

Além das praias, os parques, como já dito, talvez sejam o grande destaque da região.

Desses, fora o Lynn Valley já anotado aqui, outros como o citado Stanley Park e o Queen Elizabeth Park também merecem reconhecimento. Esse segundo é grandinho e é mais no estilo praça gigante. O que o diferencia dos outros são seus maravilhosos jardins e sua posição privilegiada acima do morro com uma visão bem legal da cidade de Vancouver e a cadeia de montanhas ao fundo.

Já o Stanley Park dispensa comentário. Com certeza o parque urbano mais loco que eu já conheci. Bem preservado e colado ao centro da cidade, o parque fica na ponta de uma peninsulazinha em meio a baia de Vancouver. Tem rio, lago, ponte, farol, ciclovia, campo de cricket, praia, piscina, aquário, museo, mirante e vários animaizinhos da hora. O role de bike pelo entorno do park sem dúvida um dos roles mais legais da cidade.

Essas coisas talvez não tenham graça aos olhos de um rápido visitante, e confesso que nem tiveram aos meus durante os primeiros tempos. Contudo, viver em um lugar é diferente de visitar. O barato é outro. O lance é muito mais cotidiano, muito mais suave, é nos detalhes.

E para a alegria da nação viajante, amanhã faço a segunda viagem oficial em terras temperadas. Dois dias em Tofino, na ilha de Vancouver. Poucos, mas saborosos dias. Depois conto como foi. Estou mesmo é ansioso para minha segunda tentativa de ver o por do sol no mar. A primeira no Peru bateu na trave. Quem sabe agora vai.

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1 comentário

Arquivado em de tudo um pouco

Uma resposta para “Tempo, viagem e cofrinho

  1. Oi, Danilo.

    Fico feliz de saber que teus planos tão indo. Em breve vou seguir tuas ideias.

    bjo para vcs e td de bom.
    Curtam mto!

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