A volta do recesso | Parte 2/3

CAFÉ – CANA – CHOP – CARRO – MOSQUITO

Depois de muita pesquisa, eu volto mesmo para contar de maneira esmiuçadíssima a história da cidade de Ribeirão Preto, algo muito mais importante que qualquer picuinha digital.

Parte de uma grande Capitania Hereditária, e, por conseguinte, de uma sesmaria, as terras férteis de Ribeirão logo foram tomadas pelo café. Depois veio a cana-de-açúcar que pintou todo o interior de verde (verde em uma época do ano e preto fuligem em outra). Da cana fizeram a cachaça e da cachaça foi um pulo para começarem a usar a água do aqüífero guarani para fazer cerveja, mais especificamente, chops! Bebendo chop, que há muito tempo nem é mais produzido aqui, o pessoal, em sua maioria filho de usineiros e acionistas das empresas de bebidas, ficou com muita vontade de dirigir. Com olhos de águia, esses mesmo empresários perceberam que abrir loja de carro seria um grande negócio na cidade. Não demorou muito e a cidade de Ribeirão Preto passou a ser uma grande loja de carro e o comércio a se revezar entre: padaria, loja de carro, farmácia, loja de carro, loja de carro, bar, loja de carro, salão de beleza, loja de carro, e as vezes, loja de carro, loja de carro e loja de carro.

Espero que tenham gostado. Por que é essa a história dessa linda cidade. Nada mais aconteceu por aqui. Nada de interessante. Nada de diferente acontece aqui.

No final dessa primeira década do século XIX, o marasmo seguia firme e a cidade parecia se consolidar definitivamente como a capital das lojas de carros, quando um cara, muito mais experto que qualquer cafeicultor, usineiro, alcoólatra ou dono de loja apareceu. Seu nome: aedes aegypti.

O Sr. Aedes percebeu que o pessoal aqui gostava mais de carro que de vaso de planta, que se preocupava mais com o chop que com a água, que ligava para política como quem liga a televisão na novela, e decidiu fincar acampamento na cidade. Claro que não foram todos os mosquitos do estado de São Paulo que se mudaram para a cidade, mas sim apenas a metade deles.

Com isso, a cidade que um dia já foi do café, da cana, do chop e do carro, hoje é do mosquito. Enquanto tem cidade brigando para ver quem é a capital do peso de papel, do copo plástico, do milho verde, ou do pastel de feira, Ribeirão já conseguiu ser a capital em 5 atividades distintas ao longo de sua breve história.

Parabéns a Ribeirão Preto, a capital brasileira da Dengue!

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3 Comentários

Arquivado em de tudo um pouco

3 Respostas para “A volta do recesso | Parte 2/3

  1. Embaúba

    Durante esse seu recesso você ficou confabulando sobre como acabar com a imagem da sua terra natal??!?!? Tudo bem que o “Sr. Aedes” reina, mas Ribeirão não é tão “pacata” assim, pode talvez não agradar seus sentidos de cidadão do mundo, de mochileiro afastado por tempo indeterminado…

  2. pessoaaaaa….nunca mais vai escrever?????????

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